Há quase 30 anos, ganhei uma bicicleta de Natal. Uma Caloi Cecizinha, que era o sonho de dez entre dez crianças. Mas eu não podia ter aquela bicicleta. Éramos quatro crianças, mal tínhamos (quando tínhamos) rango em casa. Minha mãe era sozinha, vivíamos meio largados, as roupas se desfazendo, as outras crianças não nos queriam por perto. Éramos a escória. Mas ganhei a bicicleta. E quando desci do meu apto pra brincar com ela, fui cercada por essas outras crianças que gritavam que minha mãe havia roubado aquela bicicleta, afinal, éramos pobres, minha mãe não tinha marido, aquela bicicleta era roubada, roubada. Vem de episódios como esse a minha força. Que não é aparente, é real. Vem da adversidade constante, da crueldade absurda das crianças que repetem sem pensar o que ouvem em casa, de pais despreparados e desalmados. Então, fuefas, não me invejem. Não invejem minha força, e, nos meus momentos de fraqueza, não pisem na minha cabeça. Porque, sim, sou um tesão mesmo, com meu humor à prova de balas e minhas pernocas bem torneadas. Mas ralei o que vocês não gostariam de ter ralado. Então, cuidado com o que desejam. Muito cuidado.  (e sabem, pode ser mesmo que ela tenha roubado essa bicicleta. e, se roubou, fez bem. realizou meu sonho. minha falecida mãe não valia um peido de batata doce, mas me amava. disso eu não tenho dúvidas. feliz natal.)
Escrito por Fabiana Vajman às 10h58
[]
[envie esta mensagem]
[link]

ISSO EXPLICA MUITA COISA...

Escrito por Fabiana Vajman às 10h16
[]
[envie esta mensagem]
[link]

VALEU, ZÉ!


Escrito por Fabiana Vajman às 10h25
[]
[envie esta mensagem]
[link]

|