Difícil mesmo é saber de onde vem o tiro. Mas quando você descobre fica tudo muito mais fácil. No meu caso, fácil e meio, porque estou tendo que lidar com gente que nem parece gente, direitinho o Unibanco, que nem parece banco. Os tiros têm vindo de profundezas tão longínquas, que quando chegam aqui já perderam a força e não têm poder de nada além de me divertir.
Imaginem vocês, putada, que hoje recebi um e-mail escrito em letras cor de rosa. Reais ou virtuais, as pessoas que usam cor de rosa para escrever poderiam ser executadas sem que houvesse qualquer prejuízo, exceto talvez para o setor de bijouterias de plástico da Renner, para a fábrica de sapatos Via Marte e para as pessoas que têm em seus nomes vários ipisilones e dáblius, que por sua vez também não fariam falta nenhuma ao nosso já tão tumultuado planetinha. Pois uma pessoa dessas que escreve em cor de rosa, ou que tenta disfarçar sua identidade usando cor de rosa, o que, convenhamos, é golpe de mestre, tentou me mandar um vírus, num link que conteria supostas fotos de barangas, que, como meus ledores tão carecas de saber, ando colecionando. Um link tão chinfrim, um e-mail tão bobinho, cuja sofisticação chega ao cúmulo de conter um número de celular e a URL de um blog! Ah, o cérebro humano e sua maravilhosa capacidade! Como não pensei nisso antes?
É claro que em dias como hoje, em que não confiamos nos nossos dentes pois eles nos mordem a língua, só um estúpido como o autor do e-mail clicaria numa bobagem dessas. Só desejo que os tiros que vêm tão lá de baixo possam continuar a me divertir e me dar temas para posts nesse blog tão abandonado, e que deve permanecer assim por um tempo, visto que ando muito ocupada com assuntos de extrema importância. Coisas que há muito tempo não me ocupavam, e que eu havia esquecido serem tão boas...
Né, colega?
(Cês tavam achando que eu me esqueci de vocês, né, seus punheteiros?)
É, eu desapareci. É que tô fazendo um trabalhinho de escravo chinês, por duas semanas. Penso numas coisas durante esses dias malucos e anoto pra escrever depois. Coisas sobre impermanência, principalmente. Sobre a ação do tempo sobre tudo isso aqui e sobre tudo aquilo lá. Mas desisto de publicar as coisas em que pensei quando chego em casa cansada e vejo meus e-mails, ou quando o telefone toca. Quando vejo assustada as coisas mudando com impressionante rapidez. Ou quando acordo de noites perfeitas com um sorriso besta na cara que não sai nem com esmeril: publicar o quê? Eu desapareci. Mas hoje apareço por aqui:
Pra dançar até não aguentar mais. E com um sorriso besta grudado na cara.
Num papo virtual madrugada abaixo com a Dani, aquela amiga querida que foi morar em Curitiba e que agora me faz um falta monstro, ela me pergunta: o que dice de belo?
Aí eu conto. Abro o coração, conto tudo: falo da insegurança, da taquicardia, do coração querendo sair pela boca, do nó na garganta. Das perguntas que eu me faço. Da reação do meu corpo. De todo os nãos que eu me julgava incapaz de dizer e que agora saltam sem pudores da minha boca. E de todos os sins que esperam pra pular sem a menor vergonha.
Do não que eu pressinto mas não tenho medo de ouvir. Porque não tenho medo de me fuder. Me fodo três vezes por semana desde que nasci, e tô aqui, quase inteira.
Dos sonhos todos, os molhados e os sequinhos.
E ela ri o kkkkkk da gargalhada eme ésse ênica: Te deixo por seis meses e você se transforma nisso?